Outras, Saúde

Farinha enriquecida com ferro é uma boa alternativa no tratamento da anemia em gestantes

Segundo pesquisa realizada em 13 municípios brasileiros, a prevalência de anemia nessa população é preocupante especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país.

Foi publicado na Revista de Saúde Pública, em outubro de 2011, um artigo explorando as vantagens da farinha enriquecida com ferro no combate à anemia. O estudo foi realizado por pesquisadores de nutrição e de enfermagem de diversas instituições brasileiras, entre elas, USP, UFPE, UFPA, UEM e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
Segundo os autores, frequentemente gestantes anêmicas buscam a reposição nutricional através de suplementos, mas os possíveis efeitos colaterais provocados por esses compostos, por exemplo, náusea, vômitos, dor abdominal e diarreia podem prejudicar a gestação e interferir na adesão das gestantes ao suplemento. Nesse sentido, a farinha enriquecida com ferro pode, portanto, ser uma alternativa importante.

Para verificar os reais efeitos desse alimento, os pesquisadores avaliaram comparativamente gestantes de 13 municípios brasileiros. Todas eram usuárias do serviço público de saúde e estavam recebendo atendimento pré-natal. Elas foram divididas em dois grupos, sendo estes antes e depois do consumo de farinhas fortificadas. De acordo com o artigo, as gestantes do grupo pós-fortificação apresentaram chance 16% menor de serem anêmicas. Entre as mulheres que consumiram a farinha fortificada, os índices de anemia caíram em média de 25% para 20%, sendo a região Nordeste a que apresentou a maior queda, com taxa de diminuição de 8,3%.

Apesar disso, a pesquisa aponta que os índices de anemia continuam elevados entre as mulheres gestantes das regiões Norte e Nordeste do país. Para a autora Elizabeth Fujimori, integrante do departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da USP, e colegas, esse fato aponta para a necessidade de se considerar a ação de outras políticas públicas de saúde. ”É, pois, importante reforçar que a prevenção e o controle da anemia devem seguir abordagem integrada, multidisciplinar e de longo prazo, coordenada com outros programas de nutrição, de saúde e de outros setores da sociedade”, consideram na pesquisa.

Outro dado interessante abordado pelos autores é o fato de gestantes sem companheiro apresentam 50% mais chance de serem anêmicas. Além disso, gestantes das regiões Sudeste e Sul mostram chance 30% e 75% menor de ter anemia, respectivamente, em comparação às mulheres da região Nordeste.

Os autores afirmam que é preciso prestar atenção também às políticas de educação nutricional e qualidade da dieta das gestantes brasileiras, promovendo a conscientização da necessidade da inserção de alimentos fortificados em casa. Eles concluem que é preciso atentar para os aspectos sociais e econômicos envolvendo os casos de anemia que ainda se atrelam a deficiências de alimentação, mau saneamento e má manutenção da saúde.

Para ver o artigo na íntegra, acesse.

Publicao em 7 de fevereiro de 2012

Agência Notisa

diariodobrejo.com

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