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Horácio Almeida – Não somos nada

Estava eu preparando um texto para incluir numa palestra que faria, ou melhor dizendo, farei nos próximos dias na cidade de Patos, aqui na Paraíba, quando senti uma pequena tontura. De início pensei que seria coisa de somenos importância, apenas uma indisposição passageira, talvez, proveniente das doses de uísque ingeridas na noite anterior…

Na UTI, sim, foi isso que você leu! Na UTI, para onde fui levado as pressas, já que a “pequena tontura”, não era uma pequena tontura, mas, segundo os médicos que me acudiram, poderia ser dentre outras coisas um pré infarto, uma isquemia ou outra causa de maior preocupação, e que deveria ser tratada com uma bateria urgente de exames laboratoriais e outras de caráter mais específico, tais como: tomografia, eletro, enzimas e etc.

Foi nesse exato momento que percebi a DESIMPORTÂNCIA de tudo. Foi nesse instante que senti a fragilidade da vida e a tênue linha entre a vida e a morte. Ali, encontrei a minha verdadeira identidade. E essa identidade me amedrontou demais. Compreendi que a vaidade de ser recebido como palestrante, conferencista, ou mesmo grande autoridade, caso eu o fosse, nada disso valeria a consciência de minha insignificância perante tudo.

Lá, entre os meus pares, enquanto me preocupava apenas em respirar, em me manter vivo, ouvi o sibilar cansado de uma respiração entubada, os bips vitais de corações cansados, os

chiados nauseabundos de oxigenações insuficientes por tubos e cânforas gastas de tempo e de morte.

Não foi desta vez que fui, mesmo porque, caso o fosse, você não estaria lendo esta crônica. Mas, aprendi muito naquele dia e meio que em estive na UTI.

Aprendi a respeitar os meus limites físicos e mentais. Bem como, aprendi que esta roupa de carne não tem a importância que costumamos dar; aprendi que na dor estamos desprovidos de toda a vaidade arrogante que insistimos em manter vida-a- fora e que na dor, equiparamo-nos aos maiores, porque ali não apenas estamos, mas, verdadeiramente, somos pequenos…

Vou continuar a fazer as minhas palestras, mas, com a consciência de que por mais que eu seja merecedor dos aplausos, um sentimento quase que mesquinho vai estar na minha consciência a me dizer: LEMBRE-SE DA UTI! LEMBRE-SE DE QUE VOCÊ NÃO É NADA!!

…E tenho dito!

Horacio de Almeida lima Horaciolima@ufcg.edu.br

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