Outras, Saúde
Inadequação lipídica de fórmulas infantis pode prejudicar desenvolvimento de crianças
Segundo pesquisadores, há necessidade de padronização desses produtos e de fiscalização para que rótulos tragam informações corretas.
Uma pesquisa publicada na Revista de Nutrição de abril deste ano revelou que fórmulas infantis podem apresentar desacordo entre a informação nutricional apresentada no rótulo e sua real composição.
No estudo, feito em março de 2008, Mahyara Markievicz Mancio Kus, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, e colegas analisaram 14 amostras de seis marcas diferentes de fórmulas infantis comercializadas no Estado de São Paulo, sendo sete para crianças lactantes de zero a seis meses, cinco para crianças lactantes de seis a doze meses e duas para bebês prematuros. As amostras foram submetidas a processos de separação de componentes e depois de quantificação dos nutrientes.
Os resultados mostraram que, apesar de todas as amostras apresentarem valores dos nutrientes tidos como obrigatórios pela Resolução RDC nº 360, cinco das 14 amostras verificadas apresentavam seus componentes nutricionais em uma escala diferente da obrigatória. Seis delas não apresentavam a quantidade de ácidos graxos e três declaravam possuir “leite integral” em sua composição, porém este não foi encontrado nas análises. Seis amostras apresentaram valores nutricionais entre 25% e 50% acima do que de fato havia nas fórmulas, e quatro delas não declararam os teores de ácidos graxos em seus rótulos, estando em desacordo com as legislações de rotulagem nutricional e de informação nutricional complementar.
Segundo os autores, “alguns nutrientes como os ácidos graxos saturados e trans, quando consumidos em excesso, estão relacionados ao aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardíacas. Dessa forma, um monitoramento mais intenso dos componentes estudados e dos declarados na informação nutricional torna-se necessário para garantir o bem-estar infantil”.
O estudo conclui que, evidenciando-se o percentual de amostras em desacordo com as informações nutricionais fornecidas pelos rótulos dos produtos, há necessidade de um maior monitoramento dos nutrientes dessas fórmulas farmacêuticas infantis, principalmente do segmento destinado a lactantes. Além disso, os autores destacam a necessidade de uma padronização das porções de preparo e obrigatoriedade da declaração de alguns ácidos graxos, como o ácido alfalinolênico.
Os pesquisadores ressaltam que o aleitamento materno continua sendo a opção mais segura para a nutrição de lactantes e deve ser sempre incentivado.
Para ver o artigo na íntegra, acesse: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732011000200002&lng=es&nrm=iso&tlng=pt
Publicado em 30 de setembro de 2011
Agência Notisa
diariodobrejo.com





