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Ramalho Leite – PREFIRO AS TRAÇAS
Na ultima reunião da Associação Brasileira de Imprensas Oficiais-ABIO, em São Paulo, foram apresentadas algumas experiências de jornais oficiais, editados eletronicamente e disponibilizados na rede mundial de computadores. Ninguém pode fugir ao avanço da tecnologia. Na imprensa oficial da Paraíba, foi adotado um sistema misto: o Diário Oficial é impresso mas existe a edição eletrônica, enviada aos assinantes.
Pela lei paraibana, desde o governo de João Agripino, o Diário Oficial era único para todos os poderes e órgãos. Não para melhorar a transparência mas sobretudo como medida de economia, aos poucos, cada um dos poderes do estado foi adotando o modelo virtual. O DOE hoje abriga os atos do Poder Executivo e os editos municipais, além de determinados feitos de outros poderes que, por exigência legal, não têm sua publicação admitida em outro veículo diferente do Diário Oficial do Estado.
Episódio recente de uma carta de amor publicada por equivoco no Diário Oficial Eletrônico de um Tribunal, restou evidenciado o perigo oferecido por fatos semelhantes e pela ação delituosa dos hackers, comprometendo a segurança dessas publicações, vez por outra, vitimas de enxertos indevidos e de apagões de arquivos. O diário oficial impresso em papel tem, apenas, as traças como adversárias.
Outra discussão em evidência é a preferência pelos livros editados eletronicamente em detrimento da brochura. Até hoje, o jornalista Waldir Porfírio é o único que conheço que está organizando uma biblioteca eletrônica onde acumula livros para acesso e leitura.
Não nego que já tentei ler alguns livros na internet. A leitura, porém, não tem o mesmo sabor nem possui a delícia que se experimenta no consumo página a página, da escrita em letra de forma. Eu dobro a pontinha da folha, deixo na rede e volto depois para continuar a leitura. Na outra rede, a dos computadores, quando volto à leitura tenho que iniciar novo processo de busca.Para outros pode ser mais fácil, mas sendo eu um analfabite, prefiro o livro impresso, o cheiro da naftalina e a concorrência das traças.
Há estados que já adotaram o Diário Oficial eletrônico como único portador de seus editais, decretos e leis. O mais poderoso deles-São Paulo, vai vender a assinatura de um resumo de todos os jornais, incluindo um tablet. Segundo a planilha de custos do projeto, fica mais barato presentear o assinante com um computado manual do que mandar entregar em casa a edição impressa.Pode ser e um dia, talvez , cheguemos todos a esse patamar.
Por enquanto, o cheirinho de tinta e a dança das letras nas páginas dos jornais, me encantam muito mais.





