07/03/2026
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Sonhos e sobrevivência: uma reflexão necessária em 2026

A trajetória da família da narradora tem início em um contexto de violência doméstica, que levou a matriarca, Evarista, a migrar do Paraná para São Paulo no final da década de 1970. O movimento foi motivado pela necessidade de proteger Evarista, que sofria abusos do marido. O responsável por essa mudança foi o tio Odair Moreira, que economizou ao longo de dois anos, escondendo o dinheiro em uma garrafa enterrada sob a cama. Esse ato simbolizava o esforço e o sonho coletivo de uma vida mais segura.

Ao chegarem a São Paulo, Odair trabalhou como ajudante geral em um jornal e dedicou parte de seu tempo livre para escrever. Com o tempo, ele juntou o dinheiro necessário para retornar ao Paraná e trazer toda a família para a cidade. A viagem foi feita de ônibus e trem, culminando na chegada ao bairro de Perus, no extremo norte de São Paulo, onde Evarista se reencontrou com seus filhos. Assim, a narradora nasceu em 6 de junho de 1991, 11 anos após a morte de sua avó.

Evarista, que havia escapado da violência doméstica, tornou-se vítima da violência urbana. Durante um atropelamento por um motorista alcoolizado, ela desapareceu por dias antes de ser identificada pelo filho, que trabalha como sepultador. Essa tragédia deixou marcas profundas na família. Mesmo enfrentando a dor da perda, a família teve que seguir em frente, tentando sobreviver em uma grande cidade.

A narradora expressa o desejo de usar a escrita para lidar com esse luto e denunciar a violência, especialmente a violência contra mulheres. Em um contexto preocupante, dados apontam que, em 2024, mais de 1.400 mulheres foram vítimas de feminicídio no país, com São Paulo atingindo um recorde de 233 casos registrados de janeiro a novembro. As estatísticas revelam que as mulheres negras representam 63% das vítimas de feminicídio, o que destaca a intersecção entre gênero e raça na violência.

Casos recentes de violência, como o atropelamento de Tainara Souza Santos e o assassinato de Bruna Oliveira da Silva, refletem uma pandemia de agressões contra mulheres. Essas histórias são lembretes da luta que muitas enfrentam diariamente. Em resposta a essa realidade, a ativista Neon Cunha afirma que “o sonho é o antídoto do medo”, e a narradora, como mulher negra e diante das dificuldades, acredita que sonhar é essencial para promover mudanças sociais.

Os sonhos da narradora incluem uma cidade mais segura, onde todas as mulheres possam se sentir livres e protegidas, e relacionamentos saudáveis, onde a discordância não tenha como consequência a violência. Ela defende a necessidade de alternativas e serviços de apoio psicológico para as vítimas de violência.

Para tudo isso se concretizar, é fundamental criar estruturas que permitam que esses sonhos se tornem realidade. É imprescindível que os homens respeitem e protejam as mulheres, e que haja políticas efetivas que garantam segurança e apoio. O desejo é que, além de sobreviver, seja possível sonhar e construir um futuro melhor para todas.

Sobre o autor: Redação DDBNews

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