Amir Caldeira, um renomado físico carioca, compartilhou suas reflexões sobre a sensação agridoce de ver seu trabalho contribuir para uma descoberta que recebeu o Prêmio Nobel. Ele, que se aposentou da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em agosto passado, continua a atuar como pesquisador sênior e dedicou mais de 40 anos ao estudo da dissipação quântica. Em 1981, junto com o britânico Anthony Leggett, Caldeira publicou um artigo que demonstrou a possibilidade de observar o tunelamento quântico em circuitos supercondutores. Essa pesquisa, segundo ele, foi mais um exercício teórico do que uma aplicação prática direta.
Quarenta e quatro anos depois, o trabalho recebeu reconhecimento internacional ao servir de base para os experimentos que comprovaram suas previsões, resultando no Nobel de 2025. O artigo Caldeira-Leggett já foi citado mais de 6.200 vezes na literatura científica, mostrando a influência duradoura em várias gerações de pesquisadores.
Além de seus comentários sobre o Nobel, Caldeira também critica o estado do investimento em tecnologias quânticas no país. O governo federal anunciou um investimento de R$ 5 bilhões até 2034, mas, segundo ele, esse valor é insuficiente. Em comparação, a China investe trinta vezes mais e os Estados Unidos, dez vezes mais. Para um desenvolvimento tecnológico significativo, seria necessário multiplicar o investimento brasileiro por dez.
O físico sugere que o país deve enviar estudantes para se aperfeiçoar no exterior e trazer especialistas internacionais, inspirando-se na estratégia da China. Essa abordagem foi fundamental para o avanço da pesquisa no país asiático.
Com sua recente aposentadoria, Caldeira enfrenta o desafio de permanecer ativo em sua área. A Unicamp lhe garante suporte como pesquisador sênior, mas a questão é se essa condição é adequada para alguém cujo trabalho ajudou a fundamentar um Prêmio Nobel.
Um projeto em andamento na Paraíba, o Centro de Pesquisa em Tecnologias Quânticas do Nordeste, visa atrair pesquisadores internacionais e se alinhar com as recomendações de Caldeira. A região, historicamente marginalizada, busca se tornar um polo de pesquisa em computação quântica.
A Paraíba já teve relevância na área de computação nos anos 1970 e, entre 2013 e 2018, organizou escolas que abordavam a computação quântica, trazendo especialistas para discutir temas considerados futuristas na época.
O futuro da ciência quântica é alentador, e a presença de um físico experiente como Amir Caldeira poderia trazer benefícios significativos. Ele poderia contribuir não apenas com seu prestígio, mas também com sua vasta rede de contatos e experiência no treinamento de novos talentos.
Sugere-se que um convite formal seja feito a Caldeira, com a proposta de colaborar em um projeto robusto que possa transformar a realidade da pesquisa na região. A Paraíba possui potencial para ser parte de uma estratégia inteligente, aproveitando os avanços na computação quântica e evitando o risco de ficar para trás.
Com o convite, o professor Caldeira poderia se unir à Paraíba e contribuir para a construção de um futuro inovador. A proximidade da região com São Paulo e a qualidade da universidade local oferecem um ambiente propício para o desenvolvimento de ideias e pesquisas.
Dessa forma, a colaboração com Caldeira poderia ser uma oportunidade de transformar iniciativas em realidade, mostrando que, com a visão certa, o que se pode realizar no país é promissor.