Aos 61 anos, empreendedor testa scooters e planeja indústria

O empresário Flávio Zuba, de 61 anos, dono da Conduzza Concessionária Zuba, participou do podcast Virada de Chave, do Campo Grande News. Ele falou sobre empreendedorismo, fracassos, dinheiro e saúde. Diferente de quem espera a aposentadoria, Flávio conta os quilômetros rodados: mais de 10 mil em scooters elétricas para testar os produtos antes de vendê-los. Ele também estuda inteligência artificial, redes sociais e logística, e planeja abrir uma indústria no Paraguai para transformar Mato Grosso do Sul em um centro de distribuição de veículos elétricos. "Hoje eu já me sinto uma pessoa de 61 com a cabeça de 20", resume.
A trajetória de Flávio começou cedo. Ele foi registrado aos 14 anos na Mercedes-Benz, incentivado pelo pai, que era corretor de imóveis e empreendedor. "Meu pai dizia: 'Filho meu tem que ser empresário, tem que empreender, não nasceu para ficar para trás'", lembra. Ele também passou por empresas como Gillette e 3M, onde foi vendedor de destaque e aprendeu modelos de gestão. "Eu preciso inovar e eu não posso enjoar de trabalhar", diz sobre a decisão de empreender.
Antes de apostar nas scooters elétricas, Flávio se perguntou qual seria o próximo produto de sucesso. Pesquisou o mercado e, em 2022, foi até Santa Catarina conhecer uma fábrica. Comprou os primeiros modelos e voltou dirigindo para Campo Grande. "Quando eu cheguei em Campo Grande, já tinha vendido duas. Falei: 'Olha, esse negócio é bom'", conta. Para conhecer o produto a fundo, ele percorreu mais de 10 mil quilômetros com as scooters, testando chuva, sol forte, alagamentos e autonomia da bateria, além de fazer um curso de mecânica. "Comprei capa de chuva, rodei mais de 10.000 km, rodei na chuva, rodei no sol intenso, fiz todos os testes aqui em Campo Grande", relata.
Flávio também falou sobre arrependimentos. A decisão mais difícil da carreira não envolveu dinheiro. "Eu trabalhei muito e não vi minhas filhas crescerem. Essa é uma decisão que eu acho que foi errada para mim", admite. Antes da pandemia, ele sofreu um grave acidente com queimaduras e ficou internado na Santa Casa. Anos depois, voltou ao hospital após um infarto. Foi dessa segunda internação que nasceu a vontade de retribuir: ele doou uma scooter elétrica para a instituição. "Se eu sair daqui, a hora que eu me recuperar, vou trazer algum benefício para a Santa Casa", conta.
O próximo objetivo do empresário é abrir uma indústria de scooters e triciclos elétricos no Paraguai e instalar um centro de distribuição em Mato Grosso do Sul. "Nós estamos vendo a viabilidade de colocar uma indústria no Paraguai e um centro de distribuição aqui no Centro-Oeste", revela. Durante o podcast, ele disse que quer ensinar outras pessoas a empreender. Segundo ele, hoje é possível abrir uma concessionária de scooters sem investir milhões. "Você pode começar uma concessionária elétrica na garagem da sua casa. Nós oferecemos todo o recurso. Às vezes você pensa que precisa muito dinheiro, não", explica.
Flávio defendeu que nunca houve tanto conteúdo disponível para quem quer crescer profissionalmente. "Hoje tem de graça livros, YouTube, Campo Grande News, todo lugar tem informação. Agora eu tenho que selecionar essas informações e pôr elas para agregar. Eu não posso entrar no TikTok só para ver bobagem", afirma. Sobre a idade para empreender, ele respondeu: "Eu tenho amigo na academia com 85 anos. Tenho uma amiga de 96. Por que eu vou me pautar por baixo?" E concluiu: "Se eu achar que eu não posso, eu não posso. Mas se eu achar que eu posso, eu posso".

