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Aplicativo anônimo ajuda a identificar relacionamentos abusivos

Por Diário do Brejo · · 2 min de leitura
Aplicativo anônimo ajuda a identificar relacionamentos abusivos
Priscila Guimarães, idealizadora do aplicativo Be Safe Mulher (Foto: Luiz Carlos/RCN67)

A policial civil Priscila Guimarães, que atua na Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Fé do Sul (SP), criou o aplicativo Be Safe Mulher para ajudar mulheres a identificarem relacionamentos abusivos antes que a violência física aconteça. A ferramenta funciona como um questionário de risco e já registra cerca de 600 testes por semana.

Natural de Paranaíba, Priscila é servidora da Polícia Civil de São Paulo. Ela afirma que a experiência no atendimento diário a vítimas motivou a criação da plataforma. O objetivo é diagnosticar comportamentos que costumam ser normalizados, como controle excessivo, ameaças, humilhações, perseguição, isolamento e violência psicológica.

"A intenção do aplicativo é chegar à mulher antes mesmo da delegacia, antes da agressão física e antes que a violência chegue a um desfecho mais grave. A informação também é uma forma de proteção", diz a idealizadora.

A plataforma foi pensada para ser simples e acessível, usando ilustrações e recursos visuais para explicar cada tipo de conduta abusiva. Na prática, a usuária responde a 25 perguntas objetivas com "sim" ou "não" sobre situações do cotidiano. O sistema soma as respostas e gera um diagnóstico com o nível de gravidade da relação, que pode variar de moderado a grave.

Entre as perguntas estão: "Seu parceiro(a) frequentemente grita com você, mesmo por pequenas coisas?", "Ele já tentou te controlar impedindo você de estudar, trabalhar e realizar outras atividades?" e "Você se sente 'presa' ao relacionamento, pois tem medo do que ele pode fazer caso você termine?"

Se o risco identificado for moderado ou grave, a plataforma mostra um botão de emergência 24 horas. Ele direciona a mulher para canais como a Central de Atendimento à Mulher (180), a Polícia Militar (190), os Direitos Humanos (100) e suporte de prevenção ao suicídio.

O aplicativo está hospedado na web, no endereço https://app.defesadamulher.com.br/, e não exige instalação. O acesso é gratuito e pode ser feito de qualquer lugar do Brasil. A ferramenta é 100% anônima. A desenvolvedora não tem acesso aos dados pessoais nem aos resultados individuais dos testes. O único indicador monitorado é o volume global de acessos.

Priscila reforça que o aplicativo não substitui o atendimento presencial. "O aplicativo não substitui o trabalho da Polícia, o atendimento psicológico ou o Poder Judiciário. Ele é uma ferramenta de informação e prevenção", afirma.

A proposta para o futuro do Be Safe Mulher é ampliar o alcance e incluir novas funções. A ideia é aproximar o projeto de instituições de ensino, universidades e órgãos públicos que atuam no combate à violência de gênero. "Quanto maior for essa rede, maior vai ser a possibilidade de fazer com que a informação chegue justamente a quem precisa", finaliza a policial.

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