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Operação expõe propina por contratos de livros

Por Diário do Brejo · · 3 min de leitura
Operação expõe propina por contratos de livros
Operação do Geco na Central de Regulação da Saúde, onde ocorriam reuniões com prefeitos (Foto: Arquivo)

Investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na Operação Gutenberg revela mensagens que mostram como investigados avaliavam o acesso a prefeitos de municípios sul-mato-grossenses para fechar contratos com a Editora Avante. As conversas indicam pagamento de propina que variava de 2% a 15%.

Os diálogos analisados são principalmente entre o advogado e representante da editora, Gabriel Taquino de Paula, e o ex-gestor de regulação da Saúde, Ed Carlo Britto Burgatt. As mensagens revelam a forma usada para tentar fechar contratos mediante propina. Em alguns casos, as conversas tratam apenas de conseguir acesso aos gestores. Em outros, aparecem menções a percentuais, ganhos financeiros e até ao uso de serviços públicos de saúde como moeda nas negociações.

Em fevereiro de 2022, Gabriel perguntou sobre dois prefeitos: “O (de Anastácio) é de difícil acesso? E o prefeito de Aquidauana?”. Logo depois, explicou o interesse: “Pra gente ganhar um dinheiro”. Ed Carlo respondeu que poderia verificar. Gabriel completou: “Se fechar a gente vai ganhar um dinheiro sem fazer nada”. Na mesma sequência, afirmou ter fechado negócio de R$ 780 mil com Angélica e que receberia R$ 20 mil por isso.

Em Caarapó, em 24 de maio de 2022, Gabriel informou que havia se reunido sobre o município e demonstrou confiança. “Terça-feira vou lá só fazer o merchandising com o prefeito”, escreveu. Na sequência, enviou mensagens sobre proposta de divisão da suposta propina: “5 seu”, “15 prefeito”. O documento não comprova, nesse trecho, que o prefeito tenha recebido qualquer valor.

Em Inocência, o contato foi direto. Ed Carlo avisou a Gabriel: “Prefeito está aqui” e “Esse é só meu se rodar”. Gabriel respondeu que pediria o orçamento e acrescentou: “Aí vc divide com o prefeito”. Segundo o Gaeco, a reunião ocorreu na regulação estadual de saúde, local de trabalho de Ed Carlo. Antes do encontro, ele orientou Gabriel a não mencionar percentuais porque havia outra pessoa na sala.

O caso de Nova Alvorada do Sul mostra quando o negócio não avançava. Havia dificuldade para fechar com o prefeito porque o município estaria se alinhando com outros fornecedores. Nas mensagens, Ed Carlo afirmou: “Vou ligar pro prefeito”, “vou ajudar um monte o prefeito”, “pra nada”, “eu tranco tudo aqui” e “saúde zero”. Para o Gaeco, Ed Carlo usava sua posição na Secretaria Estadual de Saúde para condicionar o encaminhamento de cirurgias e exames à contratação da editora.

Em outra conversa, quando surgiu a informação de que Nova Alvorada do Sul não faria a contratação por falta de orçamento, Gabriel escreveu: “Deixa o povo sem leito lá” e, no dia seguinte, “Suspende as cirurgias de nova alvorada” e “O cara não cumpriu”. A investigação afirma ainda que, em outro momento, quando havia expectativa de fechar o negócio, Gabriel disse que Ed Carlo ganharia R$ 80 mil. Ed Carlo respondeu: “Vou dar 300 mil de exames pra eles” e “Fora as cirurgias”.

Em Ivinhema, em novembro de 2022, Gabriel tentava vender ao chefe do Executivo municipal e dizia que, caso conseguisse, daria “um presente” a Ed Carlo. A investigação registra ainda que Ed Carlo afirmou que resolveria a situação do prefeito na área da saúde. Em janeiro de 2023, Gabriel mencionou uma reunião com o prefeito e pediu ajuda para uma demanda na regulação.

Em Angélica, em janeiro de 2023, Gabriel marcou uma reunião com o chefe do Executivo municipal na Coordenadoria de Regulação. “Terça feira aí na regulação”, escreveu. “Com o prefeito de Angélica”.

Porto Murtinho aparece em outro núcleo das conversas. Felipe Jafar, preso na operação como proprietário da Editora Avente, disse ao dono de garagem de Campo Grande, Francisco Anizio dos Santos, que tinha contatos em municípios e conseguiria “de prontidão já começar a mexer alguma coisa”. Em seguida, contou que iria falar com o prefeito de Porto Murtinho. Em outra mensagem, disse que viajaria ao município para “finalizar lá os negócios” e buscar orientações sobre como conversar com a secretária e a diretora pedagógica.

O Campo Grande News tentou contato com as prefeituras citadas no documento e aguarda resposta.

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