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Pesquisa aponta mudanças na reprodução do baru em MS

Por Diário do Brejo · · 3 min de leitura
Pesquisa aponta mudanças na reprodução do baru em MS
A castanha do baru gera renda para famílias extrativistas em MS (Foto: Ecoa/Divulgação)

Pesquisa identifica alterações nas fases reprodutivas do baru em Mato Grosso do Sul. O estudo, realizado pela Ecoa (Ecologia e Ação), comparou levantamentos feitos em 2022 e 2025 e apontou mudanças na forma como a árvore nativa do Cerrado floresce e produz frutos. A castanha do baru gera renda para famílias extrativistas no estado.

Os pesquisadores observaram uma maior proporção de árvores em início de floração e uma menor presença de exemplares com flores abertas e frutos. Apesar dos resultados, eles alertam que ainda não é possível afirmar se essas alterações representam uma mudança duradoura no comportamento da espécie. O monitoramento nos próximos anos será necessário para verificar se os dados indicam uma tendência ou apenas uma variação natural entre diferentes períodos de observação.

Um diferencial da pesquisa é a participação direta das comunidades extrativistas. Por meio da metodologia de ciência cidadã, famílias que vivem em áreas de coleta registram em campo dados sobre floração, frutificação, clima e localização dos baruzeiros. As informações são coletadas pela plataforma KoboToolbox e integram uma base de dados sobre o Cerrado.

Os dados alimentam o Mapa Interativo da Ciência Cidadã do Baru, desenvolvido pela Ecoa. A ferramenta reúne informações sobre áreas de coleta da castanha, biodiversidade, clima e características do Cerrado. A atualização foi produzida ao longo de seis meses de monitoramento, com a participação de oito comunidades envolvidas no extrativismo do baru em Mato Grosso do Sul.

O mapa auxilia as comunidades no planejamento da safra e na organização da atividade extrativista. A ferramenta também contribui para a rastreabilidade da cadeia produtiva, permitindo identificar a origem da castanha. O mapa foi desenvolvido no âmbito do projeto “Superalimento de castanha de baru das famílias locais do Cerrado brasileiro para consumidores dinamarqueses”, realizado pela Ecoa em parceria com a organização dinamarquesa Forests of the World, com financiamento da Danida.

O estudo comparou 304 observações registradas em 2022 com 49 registros realizados em 2025. Segundo Nathalia Ziolkowski, diretora-presidenta da Ecoa e coordenadora da iniciativa, os novos dados se somam aos levantamentos anteriores e fortalecem uma série histórica sobre o comportamento do baru. "Eles ajudam a construir uma base histórica que permitirá compreender melhor as variações entre safras e suas possíveis relações com fatores ambientais e climáticos", afirma.

Em 2022, 54,3% das observações correspondiam a árvores com botões florais. Em 2025, esse percentual passou para 74,5%. Já a proporção de árvores com flores abertas caiu de 6,9% para 2,1%, enquanto a de árvores com frutos diminuiu de 29,3% para 14,9%. A presença de frutos já caídos no solo passou de 9,9% para 8,5%.

Os dados indicam que, em 2025, uma parcela maior dos baruzeiros foi registrada nas fases iniciais da floração. Embora a diferença tenha sido estatisticamente significativa, o estudo destaca que ainda não é possível determinar o que provocou esse comportamento. Fatores como condições climáticas, regime de chuvas e características ambientais podem ter influenciado os resultados.

A distribuição espacial dos registros permaneceu praticamente a mesma entre os dois levantamentos. As maiores concentrações de ocorrências continuam na região formada pelos municípios de Anastácio, Nioaque e Dois Irmãos do Buriti. O estudo concluiu que o núcleo principal de ocorrência da espécie permaneceu estável entre 2022 e 2025.

O mapa permanece em atualização contínua e deverá receber novos registros nos próximos anos. O Mapa Interativo da Ciência Cidadã do Baru está disponível para consulta online.

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