Professora busca ex-alunos para entregar cartas guardadas por 13 anos

A professora e médica-veterinária Joyce Katiuccia Medeiros Ramos Carvalho guardou por 13 anos cartas escritas por alunos e agora busca os ex-alunos para entregá-las. As mensagens foram escritas no início da graduação e nunca foram recebidas pelos destinatários.
Joyce começou a dar aula de anatomia na UCDB em 2013. No primeiro semestre, ela pedia que cada estudante escrevesse uma carta para o “eu do futuro”. A ideia era que o texto fosse devolvido anos depois.
“Desde 2013 eu faço isso com os alunos. A carta seria entregue na aula da saudade no fim do curso, mas alguns não iam, outros não se formaram e teve o caso de uma ex-aluna que veio a falecer. Então pensei em entregar para essas pessoas agora”, explica Joyce.
As mensagens ficaram preservadas com cuidado. “Para cada ano eu tenho uma caixa diferente. Meu guarda-roupa está cheio dessas caixinhas”, detalha.
Nos últimos dias, a professora começou uma busca pelos antigos alunos. Em alguns casos, encontrou os destinatários pelas redes sociais. Em outros, precisou fazer uma investigação. Foi assim com uma ex-aluna que morreu antes de receber a própria carta. “Fui até o Facebook dela da época, encontrei os pais, mas não consegui resposta. Depois descobri que ela tinha um irmão, encontrei o perfil dele no Instagram e estou conversando com ele. Gostaria de entregar a carta para a família”, conta.
A professora já fez algumas entregas e pretende continuar até encontrar todos os donos das mensagens. Uma das surpresas aconteceu nesta semana, quando ela apareceu sem avisar no local de trabalho de uma ex-aluna. “Quando ela me viu com a caixa já entendeu o que era e ficou muito feliz. Foi uma surpresa muito emocionante para nós duas”, lembra.
Joyce explica que nunca abriu nenhuma das cartas. Todas permanecem lacradas, exatamente como foram entregues pelos estudantes anos atrás. “Eu não leio. Elas estão fechadinhas. São deles”, pontua.
Para ela, as cartas proporcionam um reencontro entre passado e presente. “Eles escreveram lá atrás sem imaginar o que aconteceria no futuro, mas acreditando nele. Acho interessante que possam olhar para trás e perceber tudo o que viveram e conquistaram, talvez até mais do que imaginavam”, analisa.
As primeiras entregas também mexeram com quem guardou as cartas por tanto tempo. “Eu me emocionei bastante. Sempre quis viver esse momento. Já pensei em fazer reencontros, chamar todo mundo, mas nunca dava certo. Desta vez resolvi fazer diferente e ir até onde eles estão”, finaliza.


