Cirurgia de varizes: o ultrassom decide, e as técnicas de hoje mudam a recuperação
Laser e radiofrequência fecham a veia com anestesia local e alta no mesmo dia; a convencional leva semanas.

Imagine uma professora de 52 anos que passa o dia em pé, chega em casa com as pernas pesadas, dorme com os pés apoiados no travesseiro e há dois anos esconde as pernas com calça comprida por causa das veias saltadas atrás do joelho. No verão apareceu uma mancha escura no tornozelo e uma coceira que não passa. Ela ouviu que "varizes são estéticas" e que "só se opera quando dói muito". As duas frases estão erradas, e a cirurgia de varizes tem indicações claras que dependem mais do exame do que da dor.
Este texto explica o que são varizes e por que aparecem, a diferença entre problema estético e doença venosa e os sinais que indicam a operação. Também mostra os tipos de cirurgia que existem hoje, o que muda entre elas, como é a recuperação de cada uma e o que o SUS e os planos cobrem.
O que são varizes e por que aparecem
São veias das pernas dilatadas e tortuosas, resultado da falha das válvulas que deveriam impedir o sangue de voltar para baixo. Com a válvula frouxa, o sangue acumula, a veia estica e a pressão passa para as veias menores, que também dilatam. Genética, gestações, longos períodos em pé, sobrepeso e idade são os fatores mais fortes.
A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular estima que a doença venosa atinge uma parcela grande da população adulta, mais mulheres do que homens.
Varizes não somem sozinhas; ou ficam estáveis ou progridem.
Cirurgia de varizes: quando ela é indicada
A tabela relaciona o estágio da doença com a conduta usual.
| Estágio | O que se vê | Conduta usual |
|---|---|---|
| Vasinhos e veias reticulares | Vasos finos, vermelhos ou azulados, sem inchaço | Escleroterapia ou laser transdérmico; questão estética |
| Varizes sem sintomas | Veias saltadas, sem dor nem inchaço | Meia de compressão e acompanhamento; cirurgia por escolha da paciente |
| Varizes com sintomas | Peso, dor, cãibra noturna, inchaço no fim do dia | Cirurgia indicada quando o ultrassom mostra refluxo |
| Alterações de pele | Mancha escura, eczema, endurecimento no tornozelo | Cirurgia indicada para impedir a úlcera |
| Úlcera venosa aberta ou cicatrizada | Ferida no tornozelo que não fecha | Tratar a ferida e operar o refluxo; indicação forte |
| Tromboflebite ou sangramento de variz | Cordão doloroso e quente, ou sangramento após pequeno trauma | Cirurgia após o episódio agudo |
Quem procura tratamento encontra serviços que reúnem consulta, ultrassom e os diferentes tipos de procedimento no mesmo lugar, o que encurta a jornada até a decisão. O texto sobre o Instituto Raja Venkata descreve como funciona um serviço de angiologia e cirurgia vascular estruturado dessa forma e o que o paciente encontra nele.
Como o médico decide
A sequência abaixo é o caminho entre a queixa e a indicação.
- Consulta com angiologista ou cirurgião vascular, com exame das pernas em pé e classificação do estágio.
- Ultrassom com Doppler das veias das pernas, feito em pé, que mostra onde há refluxo e qual veia é a origem do problema.
- Avaliação de fatores de risco para trombose, uso de hormônio, tabagismo e doenças associadas.
- Escolha da técnica conforme o calibre da veia, a localização e a preferência do serviço.
- Meia de compressão e caminhada orientadas desde a primeira consulta, seja ou não o caso de operar.
- Retorno após o procedimento com novo ultrassom para conferir o fechamento da veia.
Quais técnicas existem hoje?
A cirurgia aberta retira a veia safena e as varizes por pequenas incisões, sob anestesia raquidiana ou geral, com recuperação de cerca de quinze dias e hematomas que somem em um mês. Laser e radiofrequência fecham a safena por dentro com um cateter, com anestesia só no local, e a pessoa sai andando; a espuma de polidocanol guiada por ultrassom fecha veias de calibre médio sem corte.
Os resultados em cinco anos são semelhantes entre as técnicas modernas quando bem indicadas; a diferença está na recuperação e no custo.
Vasinhos não se operam; tratam-se com escleroterapia em sessões de consultório.
Como é a recuperação
Com laser ou radiofrequência, caminhada no mesmo dia, meia de compressão por uma ou duas semanas, retorno a trabalho sentado em dois a três dias e a atividade física leve em sete dias. Na cirurgia aberta, repouso relativo por alguns dias, meia por um mês, trabalho em duas semanas e exercício em trinta dias.
Dor moderada, roxos e endurecimento ao longo da veia tratada são esperados; febre, vermelhidão que se espalha, inchaço de uma perna inteira e falta de ar não são, e pedem contato imediato.
Caminhar é a parte do tratamento que ninguém pode fazer pela paciente.
SUS, planos e o que conferir
A cirurgia aberta está na tabela do SUS e no rol da ANS. Laser e radiofrequência não constam expressamente no rol, e é com esse argumento que muitas operadoras negam a cobertura; a cobertura costuma sair por justificativa médica detalhada, com o ultrassom mostrando o refluxo, e em parte dos casos só pela via judicial. Escleroterapia de vasinhos por motivo estético fica fora da cobertura.
Antes de marcar, conferir o registro do médico como cirurgião vascular ou angiologista, se o serviço faz o ultrassom em pé e qual técnica ele oferece.
Cirurgia sem ultrassom prévio não tem como ser bem indicada.
Perguntas frequentes sobre cirurgia de varizes
Quando a cirurgia de varizes é indicada?
Quando há refluxo no ultrassom com sintomas como peso, dor e inchaço, ou alterações de pele, úlcera, tromboflebite ou sangramento. Varizes sem sintomas podem ser operadas por escolha.
Varizes são só um problema estético?
Vasinhos sim. Varizes verdadeiras são doença venosa e podem evoluir para mancha, eczema e úlcera no tornozelo.
Laser ou cirurgia convencional?
O cateter fecha a safena por dentro, sob anestesia local, e a pessoa volta à rotina em dias. A cirurgia aberta retira a veia, sob raqui, e leva semanas. Os resultados em longo prazo são semelhantes quando bem indicadas.
Quanto tempo de recuperação?
Por cateter: trabalho sentado em dois a três dias e atividade leve em uma semana. Aberta: trabalho em duas semanas e exercício em um mês.
O plano de saúde cobre?
Cobre a cirurgia aberta. Laser e radiofrequência não estão expressos no rol da ANS e costumam ser negados; a liberação depende de justificativa médica e, às vezes, de decisão judicial. Escleroterapia estética não é coberta.
As varizes voltam?
As veias tratadas não voltam, mas outras podem surgir com o tempo, porque a tendência é genética. Meia, caminhada e controle de peso reduzem a recorrência.
Resumo
A cirurgia de varizes é indicada pelo ultrassom com refluxo somado a sintomas, alterações de pele, úlcera, tromboflebite ou sangramento, e não pela intensidade da dor; vasinhos são tratados em consultório. Laser, radiofrequência e espuma fecham a veia por dentro sem internação e com retorno em dias, enquanto a cirurgia aberta retira a safena e leva semanas, com resultados semelhantes em longo prazo. SUS e planos cobrem a cirurgia aberta com indicação documentada, enquanto laser e radiofrequência ainda dependem de justificativa ou de decisão judicial nos planos, e caminhar, usar meia e conferir o registro do cirurgião vascular fazem parte do cuidado.

