Mavana Gomes cresceu em um ambiente familiar complicado, marcado pelo alcoolismo dos pais. Para ela, a infância foi um período repleto de desafios e responsabilidades, e não de brincadeiras e jogos. Desde os dez anos, Mavana trabalhou em diversos empregos, como babá, faxineira e vendedora, para ajudar a sustentar a família. Essa realidade a levou a perceber desde cedo que teria que lutar por sua própria sobrevivência.
Ao longo do tempo, a vontade de ter um futuro melhor a acompanhou. Apesar das dificuldades financeiras, Mavana se dedicou aos estudos e se formou como técnica de enfermagem. Com empenho, conseguiu obter o terceiro lugar em um concurso público, um sinal de que havia oportunidades à sua frente.
Aos 38 anos, Mavana decidiu fazer a mudança que sempre sonhou: ingressou na faculdade de Medicina. Essa decisão não foi impulsionada apenas pela ambição, mas como uma resposta a tudo o que enfrentou na vida. Em 2018, ela deixou o Rio Grande do Sul e se mudou para Corumbá, no Mato Grosso do Sul, levando consigo tanto as inseguranças quanto a determinação de não desistir.
Estudar em um novo estado trouxe novos desafios. Mavana continuou a trabalhar como técnica de enfermagem, mesmo cansada, para pagar as despesas com aluguel e materiais escolares. Havia dias difíceis, com muito cansaço e momentos de choro, mas a ideia de desistir nunca foi uma opção.
Durante a pandemia, em junho de 2020, Mavana teve um motivo especial para celebrar: nasceu sua neta, Maitê. A chegada da garotinha trouxe luz em um período tão conturbado, ampliando suas razões para perseverar.
Os anos seguintes foram repletos de desafios. Mavana teve que se adaptar a um novo país, aprendendo um novo idioma e se inserindo em uma cultura diferente. A sensação de não pertencimento e a necessidade de provar seu valor se tornaram constantes, resultando em noites sem dormir e uma rotina cansativa. Porém, a persistência se tornou sua nova normalidade.
Em 2023, Mavana enfrentou outra dor: a morte de sua sogra, Mari Roselaine. Essa perda foi profunda, mas sua fé e suas lembranças a sustentaram. Mesmo nos momentos mais difíceis, Mavana continuou a avançar, consciente de que seu passado, embora doloroso, foi fundamental para a sua força.
Recentemente, Mavana celebrou um importante marco: foi aprovada na primeira fase do Revalida, um exame que valida a formação de médicos formados no exterior. Essa conquista simboliza não apenas o esforço investido ao longo dos anos, mas também a confirmação de que toda sua luta valeu a pena.
Hoje, Mavana se sente grata por suas origens e por tudo que a cidade de Alegrete representou em sua jornada. Ela reconhece que sua história é feita de conquistas que foram pagas com muito esforço.
Com determinação, Mavana continua sua jornada um dia de cada vez, mantendo sua fé como alicerce e coragem como sua principal ferramenta. Sua trajetória prova que, embora sobreviver seja um primeiro passo, ir além é um verdadeiro ato de resistência.