28/05/2026
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Fintechs movimentaram R$ 26 bi em esquema investigado pela Receita

A Operação Fluxo Oculto, nova fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), revelou que fintechs investigadas por movimentar recursos de um suposto esquema criminoso no setor de combustíveis operavam em um ambiente com menor alcance de fiscalização da Receita Federal até 2025.

As fintechs são empresas que utilizam inovação tecnológica para oferecer serviços financeiros. Segundo a Receita, estas instituições de pagamento não eram obrigadas a enviar a e-Financeira, declaração usada pelo Fisco para monitorar movimentações financeiras e identificar operações suspeitas. A obrigação passou a valer após o avanço das investigações da Carbono Oculto e ampliou o acesso da Receita a dados financeiros dessas empresas.

De acordo com o órgão, mais de 450 instituições passaram a entregar informações desde agosto de 2025, o que permitiu identificar movimentações consideradas atípicas e aprofundar o rastreamento financeiro da organização investigada.

A nova fase da operação mira 6 fintechs apontadas como “bancos paralelos” do grupo criminoso. Conforme as investigações, essas empresas eram usadas para compensações financeiras internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, pagamentos de colaboradores e movimentações ligadas a gastos pessoais e investimentos dos operadores do esquema.

Juntas, as seis fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. A Receita identificou operações suspeitas, principalmente depósitos em dinheiro vivo, considerados incompatíveis com a rotina comum de instituições de pagamento. Apenas uma das empresas investigadas recebeu mais de R$ 1 bilhão em espécie entre 2022 e 2024.

A investigação também aponta o uso das chamadas “contas bolsão”, mecanismo em que recursos eram concentrados e posteriormente redistribuídos para dificultar o rastreamento das operações e ocultar os beneficiários finais das transações. Segundo a Receita, algumas fintechs ainda mantinham contas em outras instituições de pagamento, criando uma “dupla camada de ocultação” financeira.

Das 6 fintechs investigadas, 3 entregaram à Receita informações sobre movimentações de cerca de R$ 8 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025. As outras 3 serão autuadas por não apresentarem a e-Financeira.

A Receita Federal afirma que o avanço da fiscalização sobre fintechs se tornou peça estratégica no combate ao crime organizado. Em nota divulgada nesta quinta-feira (28), o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo passou a concentrar esforços no rastreamento financeiro das organizações criminosas.

“A Receita Federal tem trabalhado fortemente para fazer o combate às organizações criminosas, olhando principalmente para a parte financeira que abastece e dá oxigênio para o crime organizado”, declarou.

Além das suspeitas de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial, a Operação Fluxo Oculto também investiga adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica. Segundo a Receita, empresas de fachada simulavam a compra do produto para uso industrial e depois desviavam o material para mistura em combustíveis automotivos vendidos em postos ligados ao esquema.

O órgão estima prejuízo de R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em dois anos apenas nesse braço da fraude.

Parte dos recursos obtidos teria sido direcionada a fundos de investimento usados para ocultar os reais beneficiários do dinheiro. Quatro fundos, duas administradoras de recursos e duas gestoras são alvo da operação. Juntos, os fundos investigados possuem patrimônio estimado em R$ 205 milhões, com crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.

Ao todo, a Operação Fluxo Oculto cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em Mato Grosso do Sul, há cumprimento de mandado em Iguatemi.

A investigação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que já havia conectado Mato Grosso do Sul a rotas de combustíveis adulterados e ao desvio de metanol usado ilegalmente tanto em combustíveis quanto na fabricação irregular de bebidas alcoólicas.

Sobre o autor: Redação DDBNews

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