Desde a adolescência, Elisa Souza de Almeida sabia que queria ser mãe e que a adoção faria parte dessa jornada. Aos 34 anos, a pedagoga e atriz viu a vida tomar rumos inesperados quando, já habilitada no processo de adoção, descobriu uma gestação surpresa. O plano de aumentar a família por meio da adoção permaneceu intacto.
Natural de Campo Grande, Elisa conta que o desejo de adotar surgiu cedo e sempre foi tratado como um projeto de vida, não como alternativa. “Desde os 15 anos eu já sabia que queria ser mãe e que um dia iria adotar. Para mim, sempre foi algo natural”, relata.
Quando conheceu o marido, Dener Wiliam Pereira do Carmo, o assunto surgiu logo no início da relação. Uma das primeiras conversas do casal foi sobre maternidade. “Eu falei que queria adotar e perguntei o que ele achava. Na hora ele respondeu que também queria”, lembra.
Durante cerca de 10 anos, o casal estudou sobre adoção, conversou com outras famílias e se preparou emocional e financeiramente para viver esse sonho. Em janeiro de 2023, Elisa e Dener deram entrada no processo de adoção enquanto moravam na Bahia. Depois, decidiram retornar para Campo Grande em busca de rede de apoio familiar.
Foi nesse período de mudança que Elisa recebeu uma surpresa. Ela já estava grávida de quatro meses do pequeno Zaki, que hoje tem 2 anos. Mesmo com a notícia, o casal não desistiu da adoção. “No mesmo dia que descobri a gravidez, também descobri que era um menino. Foi tudo muito intenso, mas nunca pensamos em desistir da fila de adoção”, conta.
Após o nascimento de Zaki, em fevereiro de 2024, o processo precisou ser pausado temporariamente por seis meses, conforme orientação da equipe técnica. Quando foi retomado, o casal recebeu a ligação apenas quatro dias depois. Larissa, então com um mês de vida, passou a fazer parte da família. “Foi uma emoção muito parecida com o parto. Foi como um reencontro. Eu olhei para ela e senti que era minha filha”, afirma Elisa.
Ao longo da jornada, Elisa percebeu que muitas pessoas tratavam a adoção como “plano B”, o que sempre a incomodou. “Quando eu dizia que estava na fila de adoção, ninguém me parabenizava. As pessoas perguntavam por que eu não tinha um filho ‘meu’. Mas filho é filho, independente da forma como chega”, destaca. Para ela, é preciso quebrar a ideia de que adoção está ligada apenas à impossibilidade de gerar biologicamente. “A adoção não é caridade, não é para salvar ninguém. É uma forma legítima de construir família”, pontua.
Hoje, Elisa e Dener são pais de Zaki, de 2 anos, e Larissa, de 1 ano e meio, e seguem com os filhos pela estrada. “Eu tenho muito orgulho da nossa história. Sempre vamos mostrar para eles como nossa família foi construída com amor”, afirma. Elisa reforça que quem deseja adotar precisa estudar e entender o processo. “Filho não se devolve. É uma decisão séria. Mas, se esse desejo existe de verdade, não deixe o preconceito dos outros impedir você”, finaliza.
