20/05/2026
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Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro

O cirurgião vascular Célio Helegda, de 52 anos, transforma ônibus antigos em motorhomes. Ele possui dois veículos clássicos: um Ciferal de 1969, apelidado de Dininho, e um modelo de 1977, chamado Dinossauro. Os automóveis foram exibidos no 5º Encontro de Motorhomeiros e Campistas de Mato Grosso do Sul.

Célio é apaixonado por veículos antigos desde antes da faculdade. Ele mantém até hoje o primeiro carro que ganhou da mãe, um Ford 1951, que ainda funciona. O interesse por motorhomes feitos a partir de ônibus clássicos surgiu depois de viagens para encontros automotivos.

O Dininho, conhecido como Flecha de Prata, é o mais antigo da dupla. O modelo era usado no transporte intermunicipal e tem motorização original Mercedes-Benz 352A. A carroceria em duralumínio tornou o veículo resistente e leve. Por dentro, o estofado xadrez, a mesa com sofá e a rede para descanso criam um ambiente que lembra uma viagem no tempo. A geladeira é original das décadas de 1950 e 1960. O espaço acomoda até seis pessoas para dormir.

“Eu comecei a construir um ônibus que comprei de um conhecido, mas era baixo e pequeno. Então, um senhor negociou esse e pegou o meu em troca. Esse é um Ciferal 1969, tem motor usado de caminhões boiadeiros. Veio completo com placa solar e aquecedor a gás”, disse Célio.

Dinossauro

O Dinossauro, modelo de 1977, foi encontrado após anos de observação em anúncios. “Eu acompanhava esse ônibus há muito tempo, mas o valor era alto. Depois de dois anos, o preço baixou e consegui parcelar”, lembrou. O veículo trabalhou nas rotas entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro pela antiga Viação Impala, ligada à Cometa. Equipado com motor Scania 112, ele fez parte de uma geração que dominou as estradas brasileiras nos anos 1970 e início dos anos 1980.

Na época, esses ônibus eram considerados os mais rápidos, confortáveis e confiáveis do transporte rodoviário brasileiro. “Era um ônibus muito avançado para aquele período. Eles eram ônibus maiores, de até 12 metros, máximo previsto pela lei. Depois, a lei mudou e, em 1979, passaram a permitir os de 14 metros”, explicou Célio.

O veículo está em processo para receber a certificação “placa preta”, destinada a automóveis com alto grau de originalidade histórica. “É por manter completa originalidade, apenas tendo sido transformado. Na verdade, creio que será o único motorhome placa preta no próximo evento”, afirmou. Segundo ele, praticamente toda a estrutura foi preservada, incluindo as rodas raiadas usadas nos antigos caminhões “jacaré”. “Mecanicamente, ele está completamente original”, disse.

O interior foi adaptado para viagens longas. O ônibus acomoda até 10 passageiros e possui móveis de madeira, dois beliches, banheiro social e um quarto suíte. Na cozinha, há uma geladeira antiga original. “Busquei em Ponta Porã. A dele, que veio com ele, que era a gás, não consegui salvar, mas está arrumando, acho que vai resolver. Tanto esse quanto o outro não enferrujam, são de alumínio, não oxidam. É um ônibus que resiste ao tempo, por isso Dinossauro. Eu comprei o Dininho em 2023 e esse em 2025”, contou.

Na coleção do médico, há outros carros antigos, como um Ford 1949. “O Ford 51 é o meu predileto, o carro em que estudei, fiz faculdade”, finalizou.

Sobre o autor: Redação DDBNews

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