Aos 7 anos, o campo-grandense Vitor Gabriel Felix Vilela alcançou um feito raro no esporte brasileiro. Ele assumiu a liderança do ranking mundial de blitz Sub-8 da FIDE (Federação Internacional de Xadrez), com rating 1936, tornando-se o enxadrista número 1 do mundo na categoria até 8 anos.
O resultado, construído torneio após torneio, coloca o enxadrista sul-mato-grossense entre as promessas do xadrez nacional. A trajetória do garoto ganhou força especialmente em maio, mês considerado decisivo pela família na ascensão do jovem talento.
Segundo o pai e professor de xadrez, Jeze Agner Vilela, Vitor já acumulava sete títulos brasileiros nas categorias de base, mas decidiu ir além em 2026 ao disputar uma categoria muito acima da sua idade. “Ele resolveu se desafiar e disputar o Campeonato Brasileiro Sub-12 com apenas sete anos. A expectativa era terminar entre os dez melhores do país, mas, de forma surpreendente, ele foi campeão brasileiro Sub-12”, relata.
O feito impressiona pela diferença de idade entre os competidores. Enquanto Vitor ainda tem sete anos, os adversários possuíam até 12 anos e mais tempo de experiência e estudo no esporte. No Brasileiro Sub-12, o desempenho foi dominante. Em 18 partidas, o menino perdeu apenas uma vez, conquistando 12 vitórias e cinco empates. O resultado não apenas lhe garantiu projeção nacional, mas também impulsionou sua pontuação na FIDE.
“Como enfrentou crianças mais fortes, inclusive mestres nacionais, ele ganhou muitos pontos de rating. Somando os resultados do Campeonato Brasileiro e de um torneio adulto em Maracaju, ele ultrapassou 100 pontos em maio e assumiu a liderança mundial da categoria Sub-8, com cerca de 30 pontos de vantagem para o segundo colocado”, explica Jeze.
Agora, o próximo desafio será internacional. Vitor disputará o Campeonato Mundial da FIDE, programado para ocorrer entre 18 e 28 de outubro de 2026, em Foz do Iguaçu (PR), quando enfrentará enxadristas de diversos países. Ao Campo Grande News, Vitor comentou o que desperta o interesse dele no xadrez. “Eu gosto muito de calcular os lances, pensar nos movimentos que eu posso jogar na posição. E o xadrez também me ajudou a conhecer outros lugares. Tudo isso é bem legal”, disse.
As conquistas nacionais em competições também o motivam para continuar aprendendo. “Ganhar dos meninos mais velhos me incentivam bastante a jogar mais, treinar, estudar. Eu fico muito feliz, porque eles são os melhores do Brasil. E ganhar deles me inspira bastante”.
O interesse pelo xadrez surgiu de forma espontânea dentro de casa. Filho de professor e inserido em um ambiente onde o jogo já fazia parte da rotina familiar, Vitor demonstrou curiosidade ainda muito pequeno. “Eu não pensava em ensinar porque ele era muito novo, tinha quatro anos. Mas ele ficava curioso vendo as peças, perguntando por que cada uma se movia de um jeito. Um dia perguntei se queria aprender e ele disse que sim”, conta o pai.
A partir dali, Jeze passou a estudar formas de ensinar uma criança pequena e se aprofundou ainda mais na modalidade. O envolvimento com o filho acabou transformando toda a dinâmica familiar. “O entusiasmo dele pelo jogo acabou entusiasmando todos nós. Eu me aprofundei mais, me tornei árbitro, passei a disputar torneios com mais frequência e o xadrez foi ocupando um espaço cada vez maior na nossa vida”, afirma.
O prodígio campo-grandense tem, além do pai, outros professores que o treinam: o mestre internacional Leandro Perdomo, da Argentina; o mestre nacional Matheus Garcett, de Santa Catarina; e Michel Ortiz, professor de xadrez dele na escola municipal. O xadrez também está presente na família. A irmã de Vitor, Mariana Felix Vilela, de 10 anos, também acumula conquistas, incluindo o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro Feminino Sub-10 nas modalidades blitz e rápido, além de cinco pódios nacionais nos últimos três anos.
