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Compulsão: entre o excesso e o sofrimento psíquico

Por Diário do Brejo · · 2 min de leitura
Compulsão: entre o excesso e o sofrimento psíquico
Compulsão: entre o excesso e o sofrimento psíquico

A compulsão tem se tornado um sintoma frequente nos diagnósticos que levam mais pessoas à clínica psicanalítica. Entre as mais comuns estão a compulsão alimentar, por compras e pelo uso de redes sociais. O termo é usado para nomear comportamentos que ultrapassam os limites considerados socialmente aceitáveis.

Esses diagnósticos podem oferecer uma via de compreensão e cuidado para pessoas em sofrimento, mas devem ser tratados com acompanhamento profissional, o que muitas vezes não acontece. A tentativa de classificar e controlar o excesso tem gerado, em muitos indivíduos, novas formas de angústia, culpa e esgotamento psíquico.

Com isso, cresce a busca por atendimento psicológico, não apenas para eliminar sintomas, mas para entender o que se manifesta como sofrimento subjetivo. Pela psicanálise, a compulsão vai além de um comportamento repetitivo ou descontrolado. Acredita-se que atos repetidos têm relação com conflitos inconscientes.

Em Além do princípio do prazer (1920), Freud formula a ideia da compulsão à repetição. Ele aponta que o sujeito pode retornar continuamente a certas experiências, mesmo quando elas causam sofrimento. A repetição não é uma falha de autocontrole, mas uma tentativa do psiquismo de elaborar algo que não tem representação simbólica.

Na cultura atual, a experiência subjetiva é frequentemente tratada como questão de desempenho e controle individual. O sujeito interpreta seus excessos como fracassos pessoais, com frases como "não consigo controlar minha alimentação" ou "não consigo me desconectar". Isso aumenta a culpa e a cobrança interna, fortalecendo os ciclos compulsivos.

O sujeito é pressionado por uma exigência constante de autocontrole, ao mesmo tempo em que é incentivado por uma sociedade marcada pelo consumo e pela produtividade. Lacan descreve o discurso capitalista como um estímulo à busca incessante por novos objetos de satisfação, sem que isso resolva o desejo.

O sintoma não deve ser visto como algo a ser eliminado, mas como uma formação com função na economia psíquica. A compulsão pode ser uma tentativa de lidar com a angústia diante do vazio e da impossibilidade de satisfação completa. A sociedade oferece objetos de consumo, mas produz sujeitos confrontados com a sensação de insuficiência.

Muitas pessoas chegam à clínica querendo entender por que seus comportamentos repetitivos não trazem a satisfação esperada. O sofrimento aparece como um convite para investigar a si mesmo. A psicanálise propõe escutar o sujeito para compreender o sentido do sintoma em sua trajetória e relação com o desejo.

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