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Dia dos Pais: churrasco lota açougues e supera Dia das Mães

Por Diário do Brejo · · 4 min de leitura
Dia dos Pais: churrasco lota açougues e supera Dia das Mães
Açougueiro Carlos mostrando peça de carne para cliente (Foto: Osmar Veiga)

Enquanto o Dia das Mães costuma levar famílias a restaurantes, o Dia dos Pais em Mato Grosso do Sul é marcado pela tradição do churrasco em casa. Esse comportamento aumenta a procura por carnes, lota os açougues e impulsiona as vendas do setor. A diferença também é percebida pelos restaurantes, que registram movimento mais intenso em maio do que na celebração de agosto.

Há três anos trabalhando na casa de carnes Mão de Vaca, na Rua 14 de Julho, o açougueiro Carlos de Brito afirma que a expectativa para este Dia dos Pais é superior à registrada no Dia das Mães. "No Dia das Mães, por causa do frio e da chuva que teve, não foi tão bom. A nossa expectativa é que o Dia dos Pais seja melhor, é um dia muito especial, porque todo mundo quer fazer churrasco, é um agregado maior, a quantidade vem maior, trabalhamos com mais produtos", explicou.

Segundo ele, as encomendas começaram dias antes da data. Na quinta-feira (6), já tinha reservado picanha, maminha e ponta de costela. "Já tinha a média de 50 peças encomendadas". Para atender à demanda, o açougue reforça o estoque. "Faz o pedido do dobro de peças, a média de 12 vacas para trabalhar no Dia dos Pais. No Dia das Mães pegamos 12 também, mas vendemos pouco", disse.

Na avaliação dele, a diferença entre as duas datas está ligada ao papel das mães durante as comemorações. "Geralmente no Dia dos Pais, a mãe está na cozinha, então, no Dia das Mães, o filho não quer que a mãe vá para a cozinha", comentou. A percepção é compartilhada pelo proprietário de um açougue no Bairro Tiradentes, Jaime do Nascimento, que afirma que o Dia dos Pais é a melhor data para o segmento. "É sempre maior o movimento. Os pais vêm comprar para fazer churrasco, e as mães vão para o restaurante. Para nós, o Dia dos Pais é melhor de movimento", disse.

Nos restaurantes, o cenário é inverso. O proprietário do Pira Restaurante, Gabriel Henrique Cassaro, afirma que o Dia das Mães continua sendo uma das principais datas do ano. "O nosso Dia das Mães sempre foi mais movimentado, a gente vê que o pessoal sai mais para comer. No Dia dos Pais, a gente tem um movimento legal, só que não é igual. Os dois melhores dias do ano para nós é Dia das Mães e Sexta-feira Santa". A diferença também aparece na compra de insumos. "No Dia das Mães, eu compro o dobro do que compro em domingos normais. No Dia dos Pais, minha compra aumenta 50% mais ou menos", exemplificou.

Entre os consumidores, a tradição do churrasco também prevalece. A técnica de enfermagem Evelyn Carvalho, de 27 anos, conta que a comemoração do Dia dos Pais já está marcada, embora ocorra alguns dias depois da data por causa da rotina de trabalho da família. "Só eu e minha irmã, minha mãe, meu pai e minhas filhas. Quem faz o churrasco, às vezes é meu pai, às vezes meu esposo. No Dia das Mães também é churrasco, geralmente sempre junta para fazer almoço, bem raro juntar para sair".

Já a manicure Ione de Freitas, de 56 anos e mãe de cinco filhos, diz que na família as comemorações seguem tradições diferentes. "No Dia das Mães, nós fomos almoçar fora. No Dia dos Pais, geralmente a gente vai para a casa da minha sogra para comer churrasco", pontuou. Ela acredita que a escolha está relacionada ao desejo de aliviar a rotina das mães. "Eu creio que por questão das mães estarem sempre dentro de casa, sempre fazendo almoço. Então, geralmente, eles preferem levar para dar uma aliviada para a mãe", disse aos risos.

Segundo levantamento do IPF/MS (Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS), em parceria com o Sebrae/MS, o Dia dos Pais deve movimentar cerca de R$ 339,22 milhões na economia sul-mato-grossense, somando gastos com presentes e comemorações. O valor representa crescimento de 8% em relação ao ano anterior. Desse total, R$ 153,41 milhões devem ser destinados à compra de presentes e R$ 185,80 milhões às comemorações.

Já o Dia das Mães apresentou uma expectativa ainda maior de movimentação econômica. A projeção para 2026 foi de aproximadamente R$ 452,6 milhões, sendo R$ 234,73 milhões destinados à compra de presentes e R$ 217,85 milhões às comemorações, reforçando a força da data para o comércio e, especialmente, para o setor de alimentação fora do lar.

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