quarta-feira, 24 de junho de 2026Noticias em tempo real
Diário do Brejo Diário do Brejo
Notícias

Dólar sobe, Wall Street recorde: Risco é ficar 100% Brasil

Por Diário do Brejo · · 3 min de leitura

O dólar subiu frente ao real a partir de maio, enquanto Wall Street continua batendo recordes. Gestores de investimento alertam que o maior risco para o investidor brasileiro não está na moeda americana, mas em manter todo o patrimônio aplicado no Brasil.

Luciano Boudjoukian França, sócio-fundador e gestor de renda variável da Paramis Avantgarde Asset, afirma que a alocação em mercados internacionais é estratégica e não deve ser tratada como uma aposta no câmbio. Com o dólar perto de R$ 5,20, ele recomenda uma entrada parcelada para quem tem pouca exposição global. "Faz sentido começar mesmo com dólar alto, porque o risco maior é ficar 100% dependente de Brasil, real e juros locais. Mas eu evitaria fazer tudo de uma vez. Dividiria em tranches mensais", diz.

O investidor pode acessar o mercado americano sem tirar o dinheiro do país, por meio de ETFs negociados na B3, como o IVVB11 e o NASD11, que acompanham os índices S&P 500 e Nasdaq-100. O Nasdaq já entrega quase 10% de alta em real neste ano. França ressalta que o Nasdaq não substitui uma carteira global, sendo uma aposta concentrada em tecnologia e crescimento. Para a maioria, o S&P 500 ou índices globais amplos são mais indicados.

As empresas de tecnologia puxam o crescimento dos EUA. Ian Caó, diretor de Investimentos da Gama Investimentos, destaca o índice Philadelphia Semiconductor, que subiu mais de 70% no ano. No entanto, o cenário de inflação pressionada e juros entre 3,50% e 3,75% nos EUA torna o momento desafiador para novos investidores. "É sempre difícil, se não impossível, apontar picos de mercado", completa.

Guilherme Zanin, analista CFA e professor na Eu Me Banco, aponta que o maior risco é achar normal ter mais de 90% do patrimônio no Brasil. Ele cita estudo da XP Investimentos que mostra, em dez anos, menor retorno e maior volatilidade para quem manteve tudo no país.

Os investimentos em inteligência artificial (IA) geram expectativas, mas Rodolfo Marinho, sócio e diretor de Operações da IP Capital, acredita que o rali não é uniforme. Ele observa que o dinheiro novo está indo para semicondutores, energia e data centers, criando distorções. Empresas como Mastercard caíram 15% no ano com lucro subindo 15%, e a Microsoft negocia a múltiplos abaixo da pandemia, sem problemas operacionais. "Para quem faz stock picking, 2026 oferece uma janela atípica", afirma.

Além dos EUA, Europa e China podem oferecer oportunidades. Luciano França vê a Europa como alternativa mais barata para diversificação em setores como bancos, indústria e energia. Maurício Garret, do Inter, enxerga oportunidades na China ligadas à infraestrutura para IA. Ele lembra que contas globais permitem acessar mercados do mundo todo via ETFs.

O investidor deve acompanhar a inflação americana, que bateu 4,2% em maio, e a resposta do Fed. O juro de dez anos dos EUA e o prêmio fiscal do país também são variáveis importantes, especialmente para ações de tecnologia, sensíveis à curva de juros longos. O rali só se sustenta se as revisões de lucros das companhias continuarem positivas.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X
Leia também