Emagrecer rápido sem cuidar da pele: erro comum

Emagrecer costuma ser motivo de comemoração, mas para muitas pessoas a conquista vem acompanhada de efeitos colaterais inesperados, como queda de cabelo, rosto com aspecto envelhecido e flacidez que surge rapidamente. A dermatologista Dra. Lidiane Costa alerta que o problema não está no medicamento usado para emagrecer, mas na velocidade da perda de peso e na falta de cuidados durante o processo.
Segundo a médica, mais de 60% dos pacientes que passam por um emagrecimento rápido chegam ao consultório reclamando do chamado "derretimento" da face e da queda de cabelo. O erro mais comum é esperar atingir o peso ideal para só então procurar tratamento. O organismo já começa a sentir os reflexos quando há uma redução entre 5% e 10% do peso corporal. Acima desse percentual, as mudanças ficam ainda mais evidentes.
A aparência de rosto mais fino ou "derretido" acontece porque o corpo perde gordura, massa muscular e proteínas que sustentam a pele. Com o emagrecimento acelerado, ocorre uma reabsorção dos compartimentos de gordura da face e do corpo, o que pode resultar em flacidez e aspecto envelhecido. A recuperação varia de pessoa para pessoa, e quem tem mais de 40 anos costuma precisar de mais estímulos para recuperar a firmeza.
A especialista recomenda que quem decidir emagrecer inclua o dermatologista desde o início do tratamento. A ideia é unir o processo de perda de peso aos cuidados com a pele e o cabelo para minimizar os efeitos colaterais. Outro erro frequente é acreditar que apenas a musculação resolve a flacidez da pele corporal. A atividade física ajuda a preservar a massa muscular, mas não trata a flacidez da pele, que é uma questão diferente.
Além dos exercícios, a ingestão adequada de proteínas faz parte da estratégia, já que o corpo perde colágeno, massa muscular e queratina naturalmente com o envelhecimento, e esse processo se intensifica durante o emagrecimento. A queda de cabelo costuma aparecer poucas semanas após o início da perda de peso. Muitas pessoas recorrem a vitaminas vendidas em farmácias por conta própria, mas a automedicação não é a melhor solução.
A investigação deve incluir exames laboratoriais, avaliação hormonal e análise clínica. O excesso de vitaminas também pode fazer mal, e cada organismo responde de maneira diferente ao tratamento. Para queda de cabelo, o resultado leva tempo, geralmente de três a seis meses de tratamento contínuo. Sobre os cremes que prometem devolver a firmeza da pele em poucas semanas, a dermatologista afirma que eles hidratam e melhoram a superfície, mas não chegam na camada onde o colágeno é produzido.
Para estimular a produção de colágeno, normalmente são associados bioestimuladores e tecnologias como lasers. Em casos de excesso importante de pele, principalmente após grandes perdas de peso, a cirurgia plástica pode ser a única alternativa. A médica reforça que idade, genética, exposição ao sol, tabagismo, consumo de álcool, qualidade do sono e hidratação interferem na recuperação. Copiar o tratamento de outra pessoa dificilmente dará o mesmo resultado, pois cada organismo reage de uma forma e o tratamento precisa ser individualizado.

