Moradores protestam contra albergue em antiga incubadora

Moradores e comerciantes do bairro Mário Covas protestaram na noite desta terça-feira (14) contra a possível instalação de um serviço de assistência social no prédio da antiga incubadora municipal. O imóvel fica na Rua Leandro da Silva Salina, região da Avenida dos Cafezais, em Campo Grande. A manifestação foi organizada após reportagem do Campo Grande News mostrar que a prefeitura pretende usar os antigos imóveis do programa de incubadoras para atender outras demandas.
O grupo se reuniu em frente ao prédio por volta das 18h30. Os participantes disseram que receberam informações sobre a possível instalação de um "albergue" ou casa de passagem no local e pedem outra finalidade para o espaço. A prefeitura ainda não confirmou qual serviço vai funcionar no endereço.
Ronaldo Veloso, morador do Residencial Mário Covas há 23 anos, participou da mobilização. Ele afirmou que comerciantes e famílias da região temem a abertura de uma unidade de acolhimento no bairro. “Nós, moradores e comerciantes da região, nos reunimos na frente da antiga incubadora com a intenção de evitar que se instale o albergue. O receio é de atrair usuários de drogas, pois aqui na nossa região já temos muitos problemas com furtos e invasões de imóveis”, disse.
Segundo Ronaldo, o abandono da antiga incubadora já causa problemas para a vizinhança. Ele relatou que o imóvel está depredado e é frequentado por usuários de drogas. Para ele, a prefeitura deve recuperar o espaço e destiná-lo a serviços de educação ou saúde. “A comunidade exige que o prédio da antiga incubadora de empresas seja destinado para creche, atendimento de saúde ou algo que traga qualidade de vida para os moradores da nossa região”, afirmou.
O vereador Ademar Vieira Junior (MDB), conhecido como "Coringa", participou da manifestação. Ele disse que procurou a vice-prefeita e secretária municipal de Assistência Social e Cidadania, Camilla Nascimento, depois de saber da possível destinação do prédio. “A população não quer nem que seja albergue e nem que seja casa de passagem. A população quer que esse prédio aí, que está desocupado e hoje oferece transtorno, porque o prédio está abandonado, seja ocupado e que seja feito um projeto na questão da área da educação ou na área da saúde”, afirmou.
O vereador informou que a vice-prefeita marcou uma reunião com uma comissão de moradores para esta quarta-feira (15), na SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania). O destino do imóvel deve ser discutido no encontro. “Ela marcou uma agenda com a comissão dos moradores e vai receber a comissão amanhã para a gente poder organizar um projeto para que esse prédio possa ser ocupado por alguma secretaria da Prefeitura de Campo Grande e que não seja um albergue ou casa de passagem”, declarou Coringa.
A mobilização ocorreu um dia depois de o Campo Grande News publicar uma reportagem sobre o fim do modelo das incubadoras municipais e o abandono dos imóveis que abrigaram o programa. A reportagem, publicada na segunda-feira (13), mostrou que as antigas incubadoras pararam de receber empresas após o encerramento do modelo adotado pela prefeitura. Em resposta, a administração municipal informou que os prédios seriam repassados a outras secretarias.
A prefeitura também afirmou que as unidades dos bairros Santa Emília e Mário Covas já tiveram as cessões oficializadas. Segundo a administração, os imóveis devem atender demandas da SAS e da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). O município, no entanto, não informou qual pasta vai assumir cada prédio.
No caso da antiga incubadora do Mário Covas, a reportagem ouviu a líder comunitária Bernadete de Freitas. Ela contou que recebeu, primeiro, a informação de que o imóvel havia sido repassado à Semed (Secretaria Municipal de Educação). Depois, soube que o espaço poderia receber uma casa de apoio a imigrantes.
O Campo Grande News procurou novamente a prefeitura para saber qual secretaria vai assumir a antiga Incubadora Mário Covas, qual serviço está previsto para o imóvel e se a SAS avalia instalar uma unidade de atendimento ou acolhimento no local. O espaço segue aberto para resposta.
