PMs salvam técnica de necropsia desacordada em rodovia

Policiais militares da 5ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar) prestaram socorro a uma mulher encontrada caída e desacordada na MS-080, na saída para Rochedo, em Campo Grande, na noite desta sexta-feira (26). A equipe voltava de uma instrução no estande da PF (Polícia Federal) quando viu a vítima no chão, às margens da rodovia, e decidiu retornar para verificar a situação.
Na viatura estavam os soldados Victória Leone Oliveira, Cavalheiro, Veiga e Andrade. Segundo Victória, a equipe seguia pela rodovia em direção ao Detran quando percebeu que havia uma mulher caída no chão, aparentemente desmaiada. Ao se aproximarem, os policiais perceberam que a mulher estava muito pálida e não respondia aos chamados. Victória e o soldado Cavalheiro iniciaram os primeiros socorros, enquanto os outros dois militares passaram a controlar o trânsito no local, já que havia grande fluxo de caminhões.
“Eu e o Cavalheiro começamos os primeiros socorros, porque ela estava muito pálida e não respondia. Verificamos o pulso dela e estava muito fraco. Como ela estava de barriga para baixo, fizemos a manobra para virá-la e imobilizar a cervical. A partir daí, o Cavalheiro ficou cuidando dessa imobilização e eu comecei a fazer estímulos para ela falar comigo”, contou Victória.
Durante o atendimento, a mulher começou a responder aos chamados. Foi nesse momento que os policiais conseguiram levantar as primeiras informações sobre ela e entenderam que se tratava de uma situação de sofrimento emocional grave. “Chamei ela, e ela começou a responder. Foi aí que conseguimos saber o nome dela e entender o que estava acontecendo. Ela disse que havia tomado remédios. Como era uma situação muito delicada, tentei não deixar ela apagar. Fiquei contendo, conversando e acalmando até a chegada do Corpo de Bombeiros”, afirmou Victória.
A soldado contou que a mulher chorava bastante e demonstrava desespero. Segundo ela, a principal preocupação da equipe era manter a vítima consciente e protegida até a chegada do socorro especializado. “Ela chorava e dizia que não aguentava mais. Eu só fui acalmando, dizendo que estava ali com ela e que ela não estava sozinha. Quando o Corpo de Bombeiros chegou, passei todas as informações que havia conseguido e eles fizeram os procedimentos deles”, disse.
Victória relatou ainda que esta foi a primeira vez que passou por uma ocorrência desse tipo. Depois que a mulher ficou sob os cuidados dos bombeiros, a própria policial precisou ser amparada por um colega. “Nunca tinha passado por isso. Foi a primeira vez. Depois que ela ficou sob os cuidados do bombeiro, o colega que estava comigo foi conversar comigo e me acalmar, porque eu fiquei muito nervosa, tremia bastante. Eu só queria ajudar. Fiquei preocupada porque ela estava no chão, em uma BR”, relatou.
A militar afirmou que a situação marcou a equipe, principalmente pelo sofrimento demonstrado pela vítima. “Nossa preocupação maior foi porque ela realmente parecia estar em sofrimento. Foi muito triste, mas fizemos o que estava ao nosso alcance”, completou. A equipe permaneceu no local até a chegada do Corpo de Bombeiros. A mulher foi encaminhada para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Santa Mônica.
A líder administrativa Eliane Vasquez, de 39 anos, passava pelo local e disse à reportagem que se surpreendeu com a postura dos policiais. Para ela, a atuação da equipe foi cuidadosa e merece reconhecimento. “Achei interessante a abordagem dos policiais e pensei que essa história merecia ser divulgada. Eles conversaram com a vítima até a chegada do Corpo de Bombeiros. Acho que esse trabalho deles precisa ser falado”, afirmou.


