04/05/2026
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Rio Pardo: plantas aquáticas sem causa há mais de 1 ano

Mais de um ano após o início da proliferação de plantas aquáticas no Rio Pardo, em Ribas do Rio Pardo (a 97 km de Campo Grande), autoridades e moradores ainda não identificaram a origem do fenômeno. O problema, que começou em fevereiro de 2025, encobriu as águas do rio com macrófitas, dificultando navegação, pesca e lazer.

Na época, o proprietário Maikon Roger Vargas de Araújo Calzolaio entrou com ação popular contra a Pantanal Energética Ltda., responsável pela usina, e contra o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Segundo o advogado Marco Antônio Teixeira, não houve atuação efetiva do poder público desde então. Ele afirma que o órgão ambiental estadual deveria ter exigido medidas adequadas.

Teixeira explica que a empresa responsável pela usina assumiu o compromisso de manter o local limpo, mas não cumpriu. Segundo ele, a abertura das comportas ocorreu tardiamente. “Só depois de grande repercussão na imprensa e do ingresso da ação judicial é que começaram a tomar providências”, diz. As algas continuam se proliferando, e a situação piorou com a interrupção da liberação de água.

Na ação, são apontadas a falta de limpeza do lago e a omissão do Imasul no licenciamento ambiental. O advogado destaca que a barragem impede a piracema e que medidas de compensação, como repovoamento com alevinos, não são adotadas. Análises do próprio Imasul indicam níveis elevados de fósforo na água.

A Prefeitura de Ribas do Rio Pardo afirma ter tomado medidas. Uma reunião foi realizada em 21 de julho de 2025 com o prefeito Roberson Moureira e o diretor-presidente do Imasul, André Borges. O município solicitou licenças ambientais de grandes empreendimentos e análises de qualidade da água, mas ainda não recebeu os dados.

O Imasul autorizou a empresa Elera, responsável pela usina, a abrir as comportas para extravasar as plantas rio abaixo. Moradores, porém, relatam que o problema persiste. O empresário Victor Baziliche afirma que a água tem mau cheiro e que sua área desvalorizou 80%. O professor Leondeniz Guariero diz que as plantas continuam se deslocando: “O Rio Pardo jamais será o mesmo”.

A professora Edna Scremin-Dias, da UFMS, aponta que o fenômeno indica eutrofização causada por excesso de nutrientes, possivelmente de atividades agropecuárias, esgoto e redução do nível do rio. Ela defende análises químicas para identificar as causas e adotar medidas de mitigação. O Imasul e a usina foram procurados, mas não se manifestaram.

Sobre o autor: Redação DDBNews

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