29/05/2026
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Tesouro, CDB ou poupança: R$ 50 mil e R$ 5 mil

Escolher onde deixar a reserva de emergência parece uma tarefa simples: basta buscar uma aplicação de resgate rápido e que renda mais. No entanto, a liquidez e o retorno são importantes, mas também há questões relacionadas a risco, valor da aplicação e alinhamento com o perfil do investidor.

O lançamento do Tesouro Reserva chamou a atenção dos agentes financeiros e investidores. O novo título público do Tesouro Direto reúne características importantes para uma reserva de emergência. Ele funciona 24 horas, sete dias por semana, permitindo resgate a qualquer momento. O retorno acompanha a taxa básica de juros do país, com 100% da Selic. É a opção mais segura possível, com garantia do Tesouro Nacional, e serve para qualquer perfil de investidor, pois não tem oscilação de preço ou taxa.

Apesar de inovador como título público, o Tesouro Reserva não é pioneiro em algumas características. O resgate 24/7 já existe em alguns CDBs de bancos e na Poupança. O retorno de 100% da Selic é próximo do que os CDBs oferecem, atrelado ao CDI. A ausência de oscilação de preço e taxa também está presente nos CDBs e na Poupança.

Para entender as diferenças, é preciso analisar os detalhes de cada produto com simulações. Em uma simulação de R$ 50 mil por um ano, considerando a Selic constante em 14,5% ao ano, o Tesouro Reserva teria rentabilidade líquida de 12,15%, totalizando R$ 56.070. Um CDB com 100% do CDI renderia 12,30%, totalizando R$ 56.163. A Poupança renderia 6,17%, totalizando R$ 53.085.

Considerando um CDB que rende 100% do CDI, praticamente não há diferença em relação ao retorno do Tesouro Reserva. O CDI acompanha os juros da Selic, com diferença de casas decimais. No entanto, para uma aplicação de R$ 50 mil, os custos mudam. O Tesouro Selic e o Tesouro Reserva têm isenção de taxa de custódia para aplicações de até R$ 10 mil. Para valores maiores, a taxa é de 0,20% ao ano, um custo que CDBs não têm. Para R$ 50 mil, a diferença é pequena, de menos de R$ 100 por ano.

A diferença maior está no retorno da Poupança, que perde R$ 3 mil em um ano. Mesmo com a cobrança de Imposto de Renda sobre o retorno do CDB e do Tesouro Reserva, a rentabilidade da Poupança, isenta de IR, fica em desvantagem. A alíquota de IR aplicada na simulação é de 15% sobre o rendimento, válida para aplicações acima de dois anos.

Para um valor menor, de R$ 5 mil em um ano, a diferença entre o Tesouro Reserva e CDBs que rendem 100% do CDI desaparece. Como o valor está abaixo do limite de R$ 10 mil, a taxa de custódia não é cobrada, e a rentabilidade dos dois ativos é praticamente a mesma, com total de R$ 5.616 cada. A Poupança continua atrás, com total de R$ 5.308.

Um ponto importante é que a Poupança possui uma “data de aniversário”, que marca a liberação do retorno, geralmente 30 dias após o depósito. Se o recurso for retirado antes dessa data, não há crédito de rendimentos no período. Nos demais produtos, a remuneração é proporcional ao tempo de aplicação, contabilizando todos os dias úteis.

Onde o Tesouro Reserva muda o jogo está menos na rentabilidade e mais nos fundamentos. O título elimina o ruído do horário de resgate, permitindo liquidez 24 horas por dia. Embora existam CDBs 24/7, a maior parte dos títulos ainda oferece resgates no mesmo dia ou no dia útil seguinte, dentro do horário comercial. Outro ponto é o risco: o Tesouro Reserva tem a garantia do Tesouro Nacional, o menor risco de crédito da economia brasileira. No CDB, o risco está associado ao banco emissor, com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de até R$ 250 mil por CPF por instituição.

No momento, o Tesouro Reserva está restrito à distribuição pelo Banco do Brasil, disponível apenas para clientes com conta no banco estatal. O Tesouro Nacional já afirmou que pretende levar o título para mais instituições financeiras nos próximos meses.

Sobre o autor: Redação DDBNews

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