Foi inaugurado nesta terça-feira (5) um laboratório na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para testes da mistura de hidrogênio verde e GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), o gás de cozinha. A previsão é que em 20 meses os estudos resultem em um produto para queima em indústrias menos poluente e mais econômico que outras opções do mercado.
Setores como o de alimentos e o de produção de vidros planos poderão adotar o GLP com hidrogênio, segundo o coordenador da pesquisa, o professor doutor do Instituto de Física Cauê Alves Martins. Ele trabalha com análises na área há 15 anos.
O pesquisador destaca a redução na emissão de gás carbônico (CO₂) e de óxido de nitrogênio (NOx), que causa danos ao sistema respiratório. No aspecto financeiro, as vantagens incluem economia na produção e ganhos com créditos de carbono. “Esse tipo de tecnologia tem um impacto direto para o industriário com a redução de emissões e geração de crédito. Para a sociedade, o impacto é ter uma indústria produzindo menos poluentes e, por consequência, um ar mais limpo e redução do impacto à saúde”, afirmou.
Segurança nos testes
A doutora em Química Cinthia Rodrigues Zanata Santos, da equipe da Copa Energia, é responsável pelo estudo da chama gerada na combustão. Ela explica que a análise será feita no novo laboratório. Os testes são seguros e o ambiente, embora pequeno, é adequado para o trabalho.
A pesquisa inclui um gerador compacto sobre rodas. “Ele vai conter toda tecnologia para gerar o hidrogênio verde in loco. Não serão levados cilindros de hidrogênio, ele não será armazenado na base do cliente, justamente pensando nessa segurança”, descreveu Cinthia. O hidrogênio verde é produzido pela quebra de moléculas de água em hidrogênio e oxigênio usando uma fonte de energia.
Segundo estudos da empresa, a redução na emissão de CO₂ pode chegar a 20%, e a economia no consumo de GLP pelas indústrias pode atingir o mesmo percentual. Em um ano, isso pode representar cerca de R$ 150 mil.
Foco na indústria
A iniciativa é inédita no país. O equipamento que fará a combustão dos dois gases é o primeiro desenvolvido com esse objetivo no mundo, conforme a Copa Energia. O diretor de desenvolvimento e inovação da empresa, Luiz Felipe Pellegrini, afirma que a combinação atende desafios da transição energética e questões geopolíticas. “O foco principal da tecnologia nesse momento é o atendimento da indústria. O problema de energia é um plano muito complexo para ser resolvido por um agente de maneira isolada”, disse.
A empresa também trabalha em solução similar para botijões residenciais e estuda o uso de biometano.
Parceria com a UFMS
A reitora da UFMS, Camila Ítavo, lembrou que a parceria com a Copa Energia começou na pandemia, com uma solução de energia para o Hospital Universitário. Depois houve análise de GLP importado da Bolívia. Ela destacou que o trabalho atual gera conhecimento com impacto na sociedade, além de bolsas para pesquisadores e estudantes. “As empresas vêm com o desafio tecnológico e nós contribuímos com a solução”, afirmou. O laboratório e os equipamentos ficarão na universidade para outros usos no futuro.
