A bactéria Pseudomonas aeruginosa voltou a ser alvo de ações de saúde pública no Brasil após ser detectada em dois casos recentes de recolhimento de produtos. Na quarta-feira (3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote da água mineral Crystal. A decisão foi tomada depois que análises laboratoriais confirmaram a presença do microrganismo.
Meses antes, a mesma bactéria havia sido identificada em lotes de produtos da Ypê. A empresa realizou um recolhimento voluntário, o que levou a agência reguladora a adotar medidas mais amplas de fiscalização.
Apesar de ser considerada uma bactéria comum no ambiente e raramente representar risco para pessoas saudáveis, a Pseudomonas aeruginosa pode causar infecções oportunistas. O perigo é maior para indivíduos com o sistema imunológico comprometido.
O que é a bactéria
A Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo encontrado no ar, na água, no solo e até na pele de pessoas saudáveis. A literatura médica a classifica como uma bactéria oportunista. Ela raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar ou agravar quadros infecciosos em quem tem o sistema imunológico enfraquecido.
Segundo o Manual MSD, referência em informações médicas, “essas bactérias são favorecidas por áreas úmidas, como lavatórios, sanitários, banheiras de hidromassagem e piscinas com cloro inadequado, e soluções antissépticas vencidas ou inativadas”. O manual também informa que, às vezes, essas bactérias estão presentes nas axilas e na área genital de pessoas saudáveis. As infecções por Pseudomonas aeruginosa podem variar de infecções externas pequenas a distúrbios sérios com risco de morte.
Quem são os imunossuprimidos
São pessoas cujo sistema de defesa do organismo está enfraquecido, seja por doenças ou por tratamentos. Entram nesse grupo pacientes em tratamento contra o câncer, como quimioterapia e radioterapia. Também estão incluídas pessoas transplantadas que usam imunossupressores e indivíduos com HIV/aids sem controle adequado.
Pacientes em uso prolongado de corticoides ou outros imunossupressores, além de pessoas com doenças autoimunes em tratamento, também fazem parte desse grupo. Para essas pessoas, microrganismos que normalmente não causariam problema podem representar um risco maior.
De acordo com o Manual MSD, as infecções ocorrem com mais frequência e tendem a ser mais severas em pessoas que estão debilitadas por distúrbios graves. Pessoas com diabetes ou fibrose cística, pacientes hospitalizados e indivíduos com distúrbios que enfraquecem o sistema imunológico, como infecção avançada pelo HIV, também estão mais vulneráveis. O mesmo vale para quem toma medicamentos para suprimir o sistema imunológico, como aqueles usados para tratar câncer ou para evitar a rejeição de um órgão transplantado.
