O Jardim Seminário, bairro localizado na região norte de Campo Grande, combina características urbanas e rurais. O local cresceu, ganhou asfalto, universidade, comércio e novos prédios residenciais, mas preservou elementos que fazem os moradores se sentirem longe da correria da cidade.
Próximo à UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), o bairro é apontado por quem vive na região como um dos mais tranquilos da capital. A poucos minutos do Centro, reúne facilidades urbanas e elementos típicos do interior, como pequenas chácaras, hortas, áreas em comodato e uma rotina de sossego.
A principal via da região é a Avenida Tamandaré. Ela concentra o fluxo de veículos e o transporte coletivo, além de abrigar parte importante da vida econômica e social do bairro. Em poucos quilômetros, há opções de lazer como choperias, lanchonetes, conveniências e bares frequentados por universitários. Na mesma avenida, está localizada uma selaria artesanal, tocada há décadas por Sebastião.
Basta entrar em ruas transversais para encontrar uma realidade diferente, com baixa circulação de veículos, áreas arborizadas e atmosfera que lembra o campo.
Segundo o aposentado Onofre Damasceno, de 66 anos, a área pertencia à Diocese de Campo Grande antes de ser loteada. Filho de um funcionário da Igreja, Onofre acompanhou as transformações da região. Ele lembra que a chegada do asfalto e da UCDB impulsionou o desenvolvimento do bairro. Mesmo assim, acredita que a essência do lugar permanece preservada.
Onofre, que trabalhou por mais de quatro décadas em emissoras de rádio, hoje cuida de uma horta orgânica na região. A rotina começa cedo, entre irrigação e manutenção dos canteiros. “É um bairro tranquilo para viver. Dá para respirar ar puro. Acho que é um dos mais tranquilos de Campo Grande”, afirma.
Ele conta que a proximidade com uma área de reserva faz com que animais silvestres apareçam com frequência, como quatis, aves e jiboias. “Tem quati, tem jiboia, tem muito animal por aqui. Eles aparecem porque tem a reserva. Mas não é perigoso. A jiboia mesmo não tem veneno”, afirma.
As raízes religiosas do bairro permanecem visíveis. Muitas ruas carregam nomes ligados à tradição católica, como São Simão, Santo Aleixo e Santo Antão.
O doutorando em Educação Wallace José de Lima, de 32 anos, natural de Alto Taquari (MT), chegou a Campo Grande em 2019. Para ele, a segurança e a praticidade são os principais diferenciais do bairro. “Nunca tive problema de assalto ou alguma situação de insegurança. Tem mercado, açougue e conveniências perto. Para mim, é um bom bairro”, relata.
Wallace destaca que o bairro oferece opções de lazer. “Quando quero sair, tem conveniência, choperia e os bares universitários próximos da UCDB. Para mim, não falta opção de diversão”, diz.
O servidor público Leomar Pretti, de 52 anos, conta que a expansão da universidade impulsionou o crescimento da região, especialmente o mercado de aluguel de imóveis. Quando chegou, muitas ruas ainda eram de terra. “Hoje melhorou bastante. O bairro é acolhedor, pacífico e muito mais estruturado”, afirma.
Para Leomar, o principal atrativo é o equilíbrio entre natureza e comodidade. “É um lugar para quem gosta de sossego e harmonia com a natureza. Você tem uma sensação de área rural, mas com toda a infraestrutura da cidade.”
Ele sugere a instalação de controladores de velocidade na Avenida Tamandaré, devido à alta velocidade dos carros.
Enquanto novos empreendimentos surgem, atividades tradicionais continuam na paisagem local. É o caso da selaria de Sebastião Inácio de Andrade, de 73 anos. O artesão aprendeu o ofício com o pai e mantém viva a tradição. “Quando cheguei, muitas dessas casas não existiam. Hoje cresceu bastante”, lembra.
Sebastião acredita que o bairro conservou o que considera mais valioso. “A melhor coisa daqui é a tranquilidade. É bem sossegado. E tem tudo perto: mercado, posto de saúde, comércio. É muito bom viver aqui.”

