Arrendamento rural: quando retomar a terra é possível?

No arrendamento rural, o proprietário da terra não pode tratar o arrendatário inadimplente como um invasor. Como o arrendatário entrou na área por meio de um contrato, o descumprimento deve ser resolvido pelo caminho correto.
Muitos problemas surgem porque o contrato é feito apenas para regular o início da relação. O documento estabelece a área, o preço e o prazo, mas não diz o que acontece se o arrendatário deixar de pagar. A ausência de uma cláusula bem estruturada cobra seu preço nesse momento.
Se o contrato não deixa claro quando o pagamento vence, como deve ser feito, quais encargos incidem em caso de atraso, como a dívida será comprovada e qual providência será adotada, o arrendador terá mais dificuldade para demonstrar seu direito ao juiz.
Além de cláusulas claras, é importante que o contrato esteja acompanhado de comprovantes de pagamento anteriores, demonstração dos valores em aberto, mensagens trocadas, recibos, notas e extratos. Esses documentos ajudam a mostrar o que foi combinado e o que deixou de ser cumprido.
Antes de pedir a retomada da área, o arrendatário deve ser formalmente comunicado sobre o atraso e a necessidade de regularização. A notificação deve indicar quais parcelas não foram pagas, o valor atualizado, o prazo para regularização e a consequência caso o débito não seja quitado.
Se o pagamento não ocorrer, o caminho é a rescisão do contrato e a retomada da área pela medida judicial adequada. Para que a desocupação seja rápida, é preciso ter cuidado com as cláusulas do contrato. É comum encontrar cláusulas simplistas que preveem a rescisão automática e a devolução imediata da terra.
O arrendamento rural possui regras próprias, inclusive quanto à possibilidade de regularização da mora. Uma cláusula mal construída pode gerar falsa sensação de segurança e aumentar o tempo para a retomada da terra.
A cláusula de inadimplemento deve dizer quando há atraso, como o débito será calculado, a forma de notificação, o prazo para regularização, a hipótese de rescisão e como será feita a devolução da área. Quanto mais claro o caminho, menor o espaço para improviso.
Outras questões também precisam ser previstas. Se o arrendatário sair da área, como fica a lavoura pendente? Haverá prazo para retirada de máquinas, animais e insumos? Cercas, estradas e pastagens devem ser devolvidas em qual estado? Haverá vistoria final? Quem responde por dano ao solo?
A vistoria inicial e a vistoria final são medidas importantes nos contratos de arrendamento. Se o arrendador registra como a área foi entregue, com descrição mínima, fotos e indicação das condições de uso, terá mais elementos para avaliar se a terra foi conservada ou se houve dano.
No campo, a confiança continua tendo valor. Mas quando há inadimplemento e é preciso retomar a terra, a confiança sozinha pode tornar a cobrança da dívida e a recuperação da área providências demoradas. Um contrato bem estruturado, firmado antes do negócio, ajuda a evitar esse problema.
